APLV tem cura?

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  1. Alergia mediada ou não mediada por IgE (tardia)
  2. Mecanismo de defesa do trato gastrintestinal x Amamentação
  3. Alimentação da gestante e lactante
  4. Uso de fórmulas lácteas
  5. Disbiose intestinal
  6. Introdução Alimentar x Alergia

A alergia alimentar é definida como uma doença que resulta em uma resposta imunológica após a ingestão ou contato com determinados alimentos. Atualmente é um problema de saúde pública e sua prevalência tem aumentado no mundo todo.

Para a presidente da Asbai, dra. Norma Rubini, há um aumento da alergia alimentar e da sua gravidade. “É uma doença com diferentes manifestações clínicas, desde as gastrointestinais até a anafilaxia, e, por isso, é fundamental que tanto o pediatra quanto o alergista estejam capacitados para o manejo dos pacientes”.

Alergia mediada ou não mediada por IgE (tardia)

Manifestações clínicas dependem dos mecanismos imunológicos envolvidos. As reações mediadas por IgE ocorrem minutos após exposição ao alimento, as não mediadas por IgE podem demorar de horas até dias.

A síndrome da enterocolite induzida por proteínas alimentares (FPIES) é um tipo de alergia não mediada por IgE grave, causada por proteínas de determinados alimentos: leite de vaca, soja, peixe, vegetais, frutas e cereais, ocasionando sintomas no sistema digestório.

Alergias na infância normalmente ocorrem por alimentos como leite de vaca, ovo, trigo e soja, que em geral desaparecem ao longo dos meses. Menos de 10% dos casos persistem na vida adulta. Entre os adultos, os alimentos mais comuns são amendoim, castanhas, peixe e frutos do mar.

A insuficiência de vitamina D (abaixo de 15 ng/mL) possui associação no risco aumentado de alergia ao amendoim. Estudos randomizados estão em andamento para avaliar a carência de Vitamina D em desfechos relacionados ao sistema imunológico.

Mecanismo de defesa do trato gastrintestinal x Amamentação

O trato gastrintestinal (TGI) é o único órgão com a capacidade de conviver com grandes quantidades de microrganismos e o sistema imunológico, além de receber diariamente quantidades significativas de antígenos alimentares sem que isso cause danos.

O TGI possui mecanismo de defesas bem elaborados, caso contrário, não seria possível promover a digestão com absorção de nutrientes necessários, água e eletrólitos e manutenção do equilíbrio imunológico.

O epitélio intestinal é renovado toda semana e possui barreiras epiteliais para impedir a entrada de microrganismos patogênicos. A microbiota, ácido gástrico, as secreções biliares e a própria motilidade intestinal atuam como mecanismos de defesa.

Algumas células do sistema imunológico como linfócitos B em grande quantidade são essenciais, para a produção de IgA (um tipo de anticorpo). Desse modo, é provável que a sensibilidade alérgica aconteça mais em neonatos e lactentes jovens devido ao sistema imunológico imaturo.

Nessa fase a barreira epitelial é imatura e mais permeável, tornando o epitélio mais suscetível para penetração de diferentes invasores. Além de que, nessa fase há uma produção baixa na produção de IgA, o que torna o organismo mais vulnerável à sensibilização alérgica.

A amamentação favorece o amadurecimento da microbiota, devido a transferência de imunoglobulinas e anticorpos através da mãe ao bebê. Desse modo, não só durante a amamentação, mas estudos apontam que, a fase pré-natal tem grande influência para a formação adequada do sistema imunológico (vimos sua importância para diminuir à sensibilização desses alimentos com potencial alergênico), e também no parto vaginal.

Alimentação da gestante e lactante

A gestante ou lactante não deve fazer dieta restringindo esses alimentos com potencial alergênico com o intuito de prevenir alergia. A alimentação deve ser saudável e balanceada, inclusive no período de amamentação, onde não há necessidade de evitar lácteos e ovo por exemplo (diferentemente de quando há o diagnóstico clínico).

Inclusive, a amamentação deve ser estimulada pois ocorre transferência de IgA que funciona como bloqueador de antígenos alimentares e ambientais, além de influenciar no amadurecimento da microbiota do lactente.

O leite possui papel fundamental na tolerância oral, quando o alimento alergênico é introduzido de forma complementar, em pequenas quantidades.

O leite materno é muito eficaz na prevenção de alergia alimentar, especificamente quando é mantido o aleitamento materno exclusivo, sem a introdução de leite de vaca, fórmulas infantis à base de leite de vaca e de alimentos complementares até os 6 meses de vida.

Uso de fórmulas lácteas

O uso de fórmulas de leite de vaca pode induzir à disbiose intestinal, fator importante de alergia alimentar.

O uso de fórmulas de soja não reduz o risco de alergia, e não é apropriada para bebês menores de 6 meses. O uso de fórmulas hidrolisadas para diminuir o risco de alergias alimentares e outras doenças alergênicas possui resultados no meio científico bem CONTRADITÓRIOS.

!!AMAMENTAÇÃO PREVINE ALERGIAS ALIMENTARES!!

Disbiose intestinal

Logo após o nascimento, ocorre a colonização na microbiota intestinal. Fatores que influenciam nesse processo: parto cesariano, uso materno de antibiótico, condições excessivas de higiene e o uso de fórmula complementar oferecida ao bebê que pode resultar nesse desequilibro intestinal, resultado em mais bactérias ruins que benéficas.

O leite materno é rico em oligossacarídeos, responsáveis pelo efeito bifidogênico, devido a colonização de bifidobactérias no intestino do bebê.

Os bebês que recebem fórmula ou leite de vaca integral desenvolvem uma microbiota intestinal com predominância de enterobactérias e bacteroides, tornando o sistema imunológico muito mais vulnerável.

Os probióticos utilizados atualmente com o intuito de colonizar mais rapidamente a microbiota dos bebês não possuem eficácia comprovada.

Introdução Alimentar x Alergia

A introdução alimentar em bebês alérgicos é bem diferente da forma “convencional” onde podemos apresentar todos os grupos alimentares logo no início.

Entretanto, de forma alguma deve ser iniciado precocemente (antes dos 6 meses) em caso de APLV. Isso porque a amamentação melhora a sensibilidade alérgica, é comprovado que iniciar antes dos 6 meses AUMENTA O RISCO DE ALERGIA.

Na APLV, não há necessidade de restrição alimentar, mesmo os alimentos com potencial alergênico. Em contrapartida, não podemos introduzir mais de um novo alimento por vez, sendo necessário aguardar no mínimo 1 semana após a introdução de cada alimento, especialmente aqueles contendo proteínas.

Os alimentos são apresentados de forma cautelosa e de maneira gradativa, iniciando com os alimentos com menor risco de alergia e assim progredindo aos poucos.

BLW é possível em bebês com alergia alimentar. E por mais que a introdução alimentar em bebês com APLV pareça uma fase preocupante, é importante que a família tenha refeições tranquilas e que esse momento seja para criar boa relação com a comida.

4 comentários em “APLV tem cura?

  1. Muito obrigada pelas informações. Me deu um luz pois meu baby está com alergia alimentar e muitas dúvidas surgem rsrsrs Gostaria de marcar consulta, como faço?

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