Vitaminas na gravidez: porque é tão importante e quais são essenciais

Os humanos só perpetuam sua espécie se mantiverem as condições de seu ambiente e obtiverem uma alimentação equilibrada, que lhes forneça o necessário para a manutenção da saúde.

A gestação é uma condição fisiológica, mas para o organismo materno há um aumento nas necessidades de vários micro e macro nutrientes que nem sempre é possível atingir apenas com alimentação, e por isso existe recomendações de suplementação de alguns compostos na pré-concepção, gestação e também no pós parto.

Papel da Alimentação ANTES DA GRAVIDEZ

A alimentação exerce um papel importante para a vinda do bebê. Esse bebê precisa de muitos nutrientes para formar os bracinhos, coração, olhos e afins. Se a mãe não tiver o necessário, teremos prejuízos tanto para a mãe quanto ao bebê.

A mulher com baixos níveis plasmáticos de vitaminas e minerais pode sentir muito cansaço, indisposição, e correr um GRANDE risco desse bebê ter seu desenvolvimento comprometido por falta de nutrientes.

Ao se preparar para a GRAVIDEZ, é necessário um bom aporte de nutrientes, não pode estar no limite mínimo, buscamos SEMPRE por níveis excelentes, pois o bebê necessita para garantir um desenvolvimento adequado.

Quando há carências, pode ocorrer falhas na implantação, abortos de repetição e problemas no crescimento fetal, autismo, pré-eclâmpsia, diabetes gestacional, parto prematuro, entre outros.

MIL DIAS

Quando falamos sobre gestação e os primeiros MIL DIAS, não podemos deixar de mencionar que o tempo ideal de preparação antes de iniciar as tentativas de gravidez é de no mínimo 3 MESES.

Isso porque um óvulo leva 3 meses para ser formado, e quando o organismo não está preparado para a chegada de um bebê, há um risco enorme dessa gestação NÃO EVOLUIR, ocorrer abortos ou má formações.

Como nutricionista materno infantil e especialista em fertilidade, tenho a responsabilidade em te auxiliar para garantir todos os nutrientes que você precisa para que esse bebê possa vir ao mundo saudável.

Essa fase da vida é a mais importante em termos de crescimento e desenvolvimento para o bebê. É o período onde podemos interferir e fazer a diferença.

Esse período determina como funcionará seu metabolismo para o resto da vida, é o que chamamos de PROGRAMAÇÃO METABÓLICA.

Podemos interferir na genética do seu filho, na imunidade e prevenção de inúmeras doenças e alergias alimentares.

GESTAÇÃO

Durante a gestação, a nutrição materno infantil auxilia para que possamos garantir todo o aporte nutricional necessário, com objetivo PRINCIPAL de proteção e promoção de saúde para mãe e bebê.

Nessa fase, as necessidades nutricionais sofrem modificações de acordo com vários fatores que influenciam para a mulher: fisiológicos, psicológicos e anatômicos. Um bom aporte de nutrientes influência diretamente no ganho de peso adequado e desenvolvimento saudável do bebê.

Para a chegada de um bebê saudável, é necessário uma gestação saudável. Diante disso, é EXTREMAMENTE IMPORTANTE se preparar antes mesmo da concepção, fase na qual denominamos como PRIMEIROS MIL DIAS (período da gestação até os 2 anos de idade).

Períodos de Crescimento Fetal

Blastogênese: Período de implantação. Da fecundação até a 2° semana de gestação. É um período hiperplásico. São necessários: ácido fólico e vitamina B12.

Embrionário: Vai até o 60° da gestação. Ocorre hipertrofia e diferenciação celular. São necessários aminoácidos (proteínas) e vitamina B6. No final desse período o embrião adquire um aspecto fetal humano.

Fetal: A partir do 3° mês até o final da gestação. É um período de crescimento rápido e hipertrofia celular. O feto passa de 6 gramas para 3,0-3,5 kg.

O ganho de peso adequado no 3° trimestre possui papel importante na prevenção do BPN (baixo peso ao nascer), o que pode prevenir para a prevenção de determinadas doenças crônicas.

Além das vitaminas mencionadas acima, é NECESSÁRIO a investigação da saúde materna para adequar a ingestão de outros nutrientes importantes e suplementar sempre que necessário.

FERRO

O ferro é um mineral necessário e sua necessidade aumenta principalmente a partir do 2° trimestre. A ingestão adequada de Ferro garante a reserva materna e permite o fornecimento de O² para o bebê, previne anemia e aumenta a tolerância para hemorragia pós parto.

Para o bebê, o Ferro também é importante para a formação do Sistema Nervoso Central, através da síntese de enzimas responsáveis pelo metabolismo cerebral.

A deficiência de ferro na gravidez está relacionada com maiores índices de mortalidade materna e fetal.

Por outro lado, o hematócrito alto (> 40%) pode significar expansão plasmática inadequada, favorecendo a pré-eclâmpsia.

Níveis altos de ferritina também já foram relacionados com o aumento de hipertensão, diabetes mellitus e síndrome metabólica.

Além de um aumento da resistência periférica à insulina, o depósito de ferro nas células beta pancreáticas também é capaz de diminuir a secreção de insulina.

A suplementação de Ferro deve ser individualizada pois é comum ocorrer intolerância gástrica e se a ingestão for acima do tolerado poderá ter efeito adversos, como o desenvolvimento de Diabetes Mellitus tipo 2.

CÁLCIO

O cálcio é um mineral essencial necessário para várias funções vitais do corpo humano, incluindo funções esqueléticas, cardiovasculares, hormonais, musculares, neurológicas e enzimáticas.

Temos evidências sobre distúrbios hipertensivos com altas taxas de mortalidade materna. Sabemos também que a atuação do cálcio na gravidez reduz o riscos desses distúrbios e complicações associadas como pré-eclâmpsia, morbidade materna e parto prematuro.

O aumento no consumo de cálcio reduz a sensibilidade ao sal e reduz pressão sanguínea. A ingestão de cálcio deve ser avaliada e suplementada individualmente.

A deficiência de vitamina D afeta diretamente a absorção de cálcio. A vitamina D3 (colecalciferol) é produzida pela síntese cutânea, sendo que a exposição solar é responsável por 80% a 90% dos estoques de vitamina D.

Portanto, o baixo consumo de alimentos fontes de vitamina D e insuficiente exposição solar podem interferir na absorção do cálcio.

VITAMINA D

A deficiência de vitamina D sofre uma alta prevalência no mundo todo e suas consequências tem gerado grande preocupação. Estudos recentes relacionam a deficiência dessa vitamina com problemas na fertilidade.

A carência de vitamina D tem sido apontada como a principal causa de hipocalcemia neonatal, hipoplasia do esmalte dos dentes e retardo do crescimento fetal, pela sua participação na homeostase do cálcio e fósforo.

Durante a gestação, níveis baixos de vitamina D possui relação com diversas condições clínicas: pré-eclâmpsia, diabetes gestacional, maior incidência de cesariana e parto prematuro, enquanto em lactentes, as condições clínicas são baixo peso ao nascer, menor massa óssea e possível relação com o desenvolvimento de doenças como bronquiolite, asma, diabetes tipo 1, esclerose múltipla e autismo.

A suplementação de vitamina D e obtenção de níveis ótimos diminuem as complicações materno-fetais e neonatais.

VITAMINA A

A vitamina A tem papel importante no desenvolvimento e crescimento fetal, principalmente no 1° trimestre. Tanto o baixo como o alto consumo dessa vitamina tem sido associado à defeitos de má formação congênita.

A suplementação de vitamina A ou de beta caroteno tem sido estimulada pela sua ação antioxidante. Alguns autores tem mostrado desfechos em relação à suplementação dessa vitamina com a diminuição da lesão endotelial e redução nos riscos de pré-eclâmpsia e eclampsia na síndrome hipertensiva da gestação,

VITAMINA E

O principal papel da vitamina E é sua função antioxidante que protege as células da deterioração dos radicais livres, e alguns estudos mostram um desfecho muito interessante, como o de prevenir anormalidades neurológicas, anemia hemolítica e abortos.

VITAMINAS DO COMPLEXO B

A vitamina B1 (tiamina) e a vitamina B2 (riboflavina) são extremamente necessárias para o metabolismos das proteínas, carboidratos e lipídios, e seu prejuízo está associado à problemas no desenvolvimento cerebral do bebê, defeitos congênitos e morte ao nascer.

A vitamina B6 (piridoxina) está ligada diretamente nos processos metabólicos, atua na síntese de neurotransmissores. Sua atuação no Sistema Nervoso Central tem sido importante e por isso, essa vitamina vem sendo utilizada para casos de hiperemese gravídica. O consumo adequado da vitamina B6 está relacionada positivamente no índice de APGAR.

VITAMINA C

Níveis baixos de vitamina C estão associados ao descolamento da placenta (fragilidade vascular). Isso pode levar ao parto prematuro.

O excesso de vitamina C também é contraindicado pois mesmo sendo uma vitamina hidrossolúvel (não armazenamos e o consumo precisa ser diário), doses altas sobrecarregam o sistema renal.

A suplementação dessa vitamina também necessita de avaliação e manejo adequado na distribuição das dosagens ao longo do dia para melhor absorção.

FOLATO

O ácido fólico ou vitamina B9 atua como coenzima no DNA, e sua deficiência pode ocasionar alterações cromossômicas. Durante a gestação ocorre um aumento na demanda de folato entre 25 e 50% em função do aumento da eritropoiese (produção e maturação dos glóbulos vermelhos) e desenvolvimento do bebê.

A deficiência de ácido fólico também pode provocar defeitos no tubo neural (DTN), entre eles a anencefalia e espinha bífida, aumentando os riscos de abortos e prematuridade. Só para enfatizar: o excesso de ácido fólico também pode ocasionar efeitos contrários!!!

Toda mulher em idade reprodutiva deve aumentar o consumo de alimentos fontes de ácido fólico, porém, dificilmente irá atingir a recomendação apenas com alimentação, por isso, a OMS recomenda a utilização de suplementos e enriquecimento de alimentos industrializados.

Não há consenso sobre essa suplementação, mas a Sociedade Brasileira de Medicina Fetal recomenda 0,4 a 1mg de suplementação para mulheres em idade reprodutiva com risco ou histórico de DTN e 4mg dia até 8° semana gestacional para prevenir DTN.

A OMS incentiva o uso durante toda a gestação. Um meta análise relacionou o uso contínuo de ácido fólico durante a gestação com a redução de sintomas depressivos pós parto (as doses devem ser prescritas individualmente).

ÔMEGA 3

O ômega 3 possui importante função no desenvolvimento neurológico, formação de retina, desenvolvimento físico e cognitivo do bebê. Esse ácido graxo é primordial para a síntese de leucotrienos, prostaglandinas e tromboxanos. Possui atividade anticoagulante e anti-inflamatória.

Os benefícios dos ácidos graxos essenciais para a saúde, especificamente o ômega 3, são evidentes não só na gestação, mas em todas as fases da vida.

Alguns autores relatam o aumento na imunidade da gestante. Para bebês prematuros, é extremamente importante devido à pouca reserva lipídica. Durante a lactação é imprescindível que a mãe continue suplementando para transferir esse nutriente através do leite materno ao bebê.

O leite materno é uma das fontes principais desse nutriente, pode-se observar que os bebês amamentados possuem um desenvolvimento mais saudável em comparação com os não amamentados.

Esses ácidos podem ser encontrados em alimentos de origem vegetal (óleo de linhaça, nozes e vegetais verde escuro). Tanto o EPA quanto o DHA são encontrados em peixes (sardinha, hadoque, cavala, salmão, arenque entre outros).

O adequado aporte de ômega 3 na gestação e pós natal tem influência positiva no desenvolvimento visual e no sistema nervoso do recém nascido, influenciando na inteligência e intelectualidade do indivíduo na vida adulta.

CONCLUSÃO

Quando os suplementos são utilizados sem orientação adequada, corre o risco de fazer a ingestão de doses insuficientes ou doses excessivas de alguns nutrientes, trazendo um risco para mãe e acarretando em prejuízos no desenvolvimento do bebê.

Por isso, é necessário avaliar a saúde materna e do bebê de maneira individual. Avaliar os hábitos alimentares atuais, adaptar preferências de acordo com sinais e sintomas, avaliar exames laboratoriais, dificuldades alimentares induzidas pelas mudanças fisiológicas como náuseas e perda do apetite por exemplo.

Individualizar é prescrever de acordo com a necessidade de CADA gestante, com suas particularidades e necessidades específicas. Dificilmente a gestante atingirá as quantidades recomendadas apenas com alimentação, mesmo com suplementação pronta, também acaba sendo inadequada na MAIORIA das vezes.

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